Produtos estragados lideram reclamações de consumidores contra o Guanabara no Rio

Produtos estragados lideram reclamações de consumidores contra o Guanabara no Rio

Produtos estragados aparecem como uma das principais queixas de consumidores contra os Supermercados Guanabara no Rio de Janeiro. Levantamento feito com base em registros do Reclame Aqui mostra que a rede acumulou 334 reclamações nos últimos seis meses e mais de 5,9 mil registros ao longo do histórico da plataforma. Entre os problemas mais relatados estão mercadorias impróprias para consumo, dificuldades no atendimento, divergências de preços e questionamentos sobre ofertas.

Órgãos de defesa do consumidor também registraram reclamações, denúncias e irregularidades em fiscalizações realizadas nas unidades da rede. Entre 2024 e 2026, ações da Secretaria de Estado de Defesa do Consumidor (Sedcon) e do Procon-RJ resultaram no descarte de 421,34 quilos de produtos considerados inadequados para consumo e em R$ 1.546.768,89 em multas administrativas.

Reclame Aqui reúne milhares de registros

Na categoria “supermercado” do Reclame Aqui, o Guanabara soma aproximadamente 2,2 mil reclamações. Entre os assuntos mais recorrentes estão produtos estragados, com 811 registros; problemas relacionados ao atendimento, com 732; e reclamações classificadas como propaganda enganosa, que chegam a 325.

Os relatos publicados pelos consumidores incluem situações envolvendo alimentos que, segundo os clientes, apresentavam condições inadequadas para consumo. Em uma das reclamações, um consumidor afirmou ter comprado maçãs estragadas e relatou que sua companheira, que estaria grávida, passou mal após ingerir o alimento.

Outro cliente contou que comprou um pacote de arroz e somente percebeu o problema ao abrir a embalagem em casa. A plataforma também reúne relatos de situações ocorridas dentro das lojas, como o caso de um consumidor que afirmou ter escorregado em uma unidade e precisado receber atendimento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

Segundo o relato, nenhum representante do estabelecimento teria acompanhado o atendimento prestado ao consumidor após o acidente.

Reclamações envolvem preços e quantidade dos produtos

As diferenças entre valores anunciados e cobrados também aparecem entre as reclamações. No período entre dezembro de 2025 e maio de 2026, a categoria “Divergência de valores” registrava 244 ocorrências relacionadas ao Guanabara.

Em uma reclamação publicada em janeiro de 2025, uma consumidora afirmou ter comprado um chester cujo peso informado na nota fiscal seria maior do que o peso verificado posteriormente em sua residência.

O supermercado respondeu que utiliza balanças profissionais nas lojas e que os equipamentos possuem selo do Instituto de Pesos e Medidas (Ipem). Mesmo após a resposta, a consumidora manteve a reclamação como não resolvida.

Outro caso foi relatado por uma cliente que afirmou ter comprado 300 gramas de um produto em uma unidade localizada na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio. Ao chegar em casa, segundo ela, uma nova pesagem apontou que a embalagem tinha apenas 180 gramas.

Promoções também são questionadas

As formas de divulgação de ofertas estão entre os assuntos que geram reclamações na plataforma. Entre novembro de 2025 e abril de 2026, foram contabilizados 20 registros classificados como “propaganda enganosa”.

Um dos casos envolve a comercialização de um chocottone anunciado por R$ 19,98. Segundo o consumidor, o preço divulgado correspondia ao valor do quilo, e não ao preço final do produto.

Na resposta publicada no Reclame Aqui, o Guanabara informou que a etiqueta apresentava o preço e a gramatura do alimento. A empresa também afirmou que o produto adquirido pelo cliente era diferente daquele indicado na etiqueta.

Atendimento gera reclamações de consumidores

Outro grupo de queixas envolve o atendimento oferecido nas unidades da rede. O filtro “Equipe de Atendimento” registrava 157 reclamações entre setembro de 2025 e fevereiro de 2026.

Os consumidores relatam problemas como demora para conseguir atendimento, dificuldades na comunicação com funcionários e insatisfação com as soluções apresentadas para determinadas situações.

Em março de 2026, um consumidor relatou dificuldades em uma unidade de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Segundo ele, não encontrou produtos anunciados em promoção e recebeu uma alternativa que, em sua avaliação, apresentava quantidade menor e qualidade inferior. O consumidor encerrou a reclamação como não resolvida.

Uma cliente também relatou ter se sentido constrangida após ouvir de um funcionário que as pessoas teriam o dia inteiro para realizar suas compras, apesar de muitas delas só conseguirem ir ao supermercado no período noturno.

A consumidora apresentou à reportagem um registro da reclamação encaminhada ao estabelecimento. Na resposta, o supermercado perguntou qual funcionário teria feito o comentário e afirmou que iria verificar o ocorrido.

Consumidor questiona produto vendido como muçarela

O consumidor Rodrigo Oscar também relatou uma experiência envolvendo produtos vendidos no setor de frios. Segundo ele, a mercadoria adquirida era apresentada como muçarela fatiada, mas teria características diferentes das esperadas.

Oscar afirmou que colocou o alimento em um forno aquecido durante alguns minutos para verificar seu comportamento e percebeu que o produto não derretia. Segundo ele, após retornar à unidade, um gerente teria se disposto a realizar a troca.

O consumidor, porém, afirmou ter sido destratado por um funcionário do setor de frios e relatou que o episódio teria ocorrido em duas ocasiões. Por causa disso, disse ter deixado de comprar produtos do setor na rede.

Morador reclama de barulho provocado por carga e descarga

Em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, o consumidor Carlo Lagos relatou problemas relacionados ao barulho provocado pelas operações de carga e descarga de uma unidade do Guanabara localizada próxima ao prédio onde mora.

Segundo Lagos, os incômodos começaram em fevereiro de 2026 e se intensificaram a partir de maio. Entre os ruídos relatados estão buzinas de carretas, gritos de funcionários e barulho provocado pela movimentação de objetos.

O morador afirmou que os sons podem ocorrer durante todo o dia e, em algumas ocasiões, continuar até a meia-noite. Segundo ele, a situação afeta moradores do prédio, incluindo crianças e idosos.

Lagos contou que procurou diferentes canais de atendimento do supermercado, inclusive o WhatsApp, mas afirmou não ter recebido resposta. Em 18 de junho, após novas tentativas, foi pessoalmente ao estabelecimento para apresentar a reclamação.

Ainda segundo o consumidor, funcionários teriam informado que os ruídos não seriam provocados pelo supermercado. Ele também questionou a circulação de carretas pela região e afirmou que, em determinada ocasião, uma ambulância teria ficado impedida de passar devido à posição de um dos veículos.

Fiscalizações encontraram irregularidades no Rio

Entre 2024 e 2026, o Procon Carioca realizou sete fiscalizações em unidades dos Supermercados Guanabara. No mesmo período, o órgão registrou quatro reclamações formais de consumidores contra a rede.

Em 2024, as fiscalizações ocorreram nas unidades de Realengo e da Tijuca. Entre as irregularidades encontradas estavam arroz comercializado acima do limite permitido, falta de informação sobre preços e produtos impróprios para consumo, incluindo mercadorias com embalagens violadas.

Durante essas ações, 71,6 quilos de produtos foram descartados.

Em 2025, foram realizadas três fiscalizações: uma na unidade da Avenida de Santana, em Realengo, e duas na Rua Almirante Cochrane, na Tijuca. Os fiscais identificaram problemas como ausência de Licenciamento Sanitário válido, falta do Código de Defesa do Consumidor (CDC) e produtos vencidos. Ao todo, 11,4 quilos de mercadorias impróprias foram descartados.

Já em 2026, as fiscalizações ocorreram nas unidades da Rua Rio da Prata, em Bangu, e da Estrada da Água Branca, em Realengo. Foram encontradas irregularidades relacionadas à higiene, armazenamento e manipulação de alimentos.

Entre os problemas apontados estavam a presença de moscas, ausência de porta divisória entre a área de manipulação da padaria e o estoque, utensílios desgastados ou inadequados para utilização no açougue e no setor de vendas, produtos sem informação de preço e ausência do Código de Defesa do Consumidor.

Procon-RJ registra reclamações e denúncias

Dados da Secretaria de Estado de Defesa do Consumidor (Sedcon) e do Procon-RJ também apontam registros contra a rede.

Em 2024, foram contabilizadas quatro reclamações e 22 denúncias. No ano seguinte, foram três reclamações e 20 denúncias. Já entre janeiro e agosto de 2026, foram registradas duas reclamações e 13 denúncias.

De acordo com o presidente do Procon-RJ, Marcelo Barboza, os casos mais recorrentes envolvem diferenças entre os preços anunciados e os valores cobrados no caixa, problemas relacionados ao peso ou à quantidade das mercadorias e questões envolvendo a qualidade e a conservação dos alimentos.

O presidente do órgão explicou que essas situações podem afetar direitos básicos previstos na legislação de defesa do consumidor, principalmente aqueles relacionados ao direito à informação e ao cumprimento das ofertas anunciadas.

Entre 2024 e 2026, as fiscalizações realizadas pela Sedcon e pelo Procon-RJ resultaram, segundo o órgão, no descarte de 421,34 quilos de produtos impróprios para consumo e na aplicação de R$ 1.546.768,89 em multas administrativas.

Ministério Público acompanha histórico envolvendo alimentos

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) também possui registros de atuação relacionados à qualidade e à conservação dos alimentos comercializados pelo Guanabara.

Em 2013, o órgão entrou com uma ação judicial para determinar que a rede comercializasse somente produtos dentro do prazo de validade, em condições adequadas de conservação e de acordo com as normas sanitárias.

A decisão também estabeleceu exigências relacionadas à limpeza e à higiene durante os processos de produção, manipulação, armazenamento e comercialização dos alimentos.

Segundo o MPRJ, o Guanabara assinou posteriormente um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o órgão e outras instituições de defesa do consumidor. O acordo estabeleceu compromissos a serem cumpridos pela empresa e por outros estabelecimentos envolvidos.

Em 2025, o Ministério Público recebeu cinco reclamações relacionadas à rede. Os casos deram origem a investigações que posteriormente foram encerradas.

Já em 2026, duas novas reclamações foram registradas. Uma delas permanece em apuração pelo órgão.

A investigação em andamento teve início após uma denúncia recebida em 5 de junho sobre supostas más condições de conservação de alimentos em uma unidade do Guanabara situada na Rua Rio da Prata, em Bangu, na Zona Oeste do Rio. O procedimento ainda não foi concluído.

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