Thiago Américo do Livramento, conhecido como Cocão, foi preso nesta quinta-feira (17) ao desembarcar de um voo vindo de Dubai, no Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão), no Rio de Janeiro. Segundo a Polícia Civil, ele é apontado como uma das lideranças de uma organização criminosa ligada ao Terceiro Comando Puro (TCP), que atuava na receptação e revenda de celulares roubados e furtados, principalmente iPhones, além de utilizar os aparelhos para acessar contas bancárias das vítimas.
A prisão foi realizada por agentes da 6ª DP (Cidade Nova), com apoio da Polícia Federal, após um trabalho de investigação e monitoramento. O suspeito tinha um mandado de prisão preventiva por organização criminosa e passou a ser acompanhado pelos investigadores depois de deixar o país para uma viagem aos Emirados Árabes Unidos.

De acordo com as investigações, o grupo criminoso teria origem no Complexo do São Carlos, na Região Central do Rio. A apuração começou em 2025 e apontou a existência de uma estrutura especializada na recepção, desbloqueio e comercialização de celulares obtidos por meio de furtos e roubos, especialmente em ocorrências registradas na Zona Sul da capital.
A participação de Cocão e a função que ele exercia dentro do grupo foram esclarecidas após uma operação realizada no Complexo do São Carlos, em maio de 2026. Na ocasião, policiais apreenderam celulares que passaram por perícia e extração de dados mediante autorização judicial. Segundo o delegado Renato Tomaz Condez, titular da 6ª DP, as informações encontradas nos aparelhos ajudaram a identificar a atuação do investigado como receptador e revendedor de celulares roubados ou furtados.

Após serem entregues ao grupo, os aparelhos eram submetidos a procedimentos que permitiam o acesso a informações pessoais e aplicativos bancários das vítimas. Conforme a Polícia Civil, os criminosos utilizavam esses dados para realizar transferências, movimentações financeiras e outras fraudes antes de colocar os telefones novamente à venda no mercado ilegal.
Ainda segundo os investigadores, o dinheiro obtido com a comercialização dos celulares também era utilizado para financiar atividades relacionadas ao tráfico de drogas no Complexo do São Carlos. A investigação aponta, portanto, que o esquema de receptação de aparelhos também contribuía para a manutenção financeira da organização criminosa.
A viagem de Cocão para Dubai também entrou no radar dos investigadores. Durante a permanência nos Emirados Árabes Unidos, o suspeito publicou imagens nas redes sociais mostrando momentos de lazer e veículos de luxo, incluindo Ferrari e Lamborghini, além de joias e registros em locais turísticos.
Com informações sobre o retorno do investigado ao Brasil, policiais acompanharam o voo e montaram a operação no Galeão. Cocão foi abordado logo após desembarcar e levado pelos agentes, sem registro de reação durante a prisão. O mandado cumprido contra ele é de prisão preventiva por organização criminosa.




