A Polícia Militar realiza, nesta quarta-feira (26), uma operação em comunidades da Zona Norte do Rio e de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, após informações de inteligência apontarem uma possível articulação do Comando Vermelho (CV) para tentar invadir o Complexo de Israel, área controlada pelo Terceiro Comando Puro (TCP). Cerca de 200 agentes foram mobilizados para atuar em seis regiões, com apoio de veículos blindados, viaturas e aeronaves.
A operação ocorre em meio à ocupação do Complexo de Israel pela PM, iniciada nos últimos dias. Segundo a corporação, a ofensiva busca evitar confrontos entre grupos criminosos, conter disputas territoriais e impedir uma possível tentativa de expansão do CV.

As equipes da Polícia Militar atuam no Quitungo, Guaporé, Furquim Mendes, Dique e Ficap, na Zona Norte do Rio, além do Parque das Missões, em Duque de Caxias. A avaliação da inteligência policial é de que integrantes do Comando Vermelho estariam se organizando nessas localidades para uma possível ofensiva contra comunidades do Complexo de Israel.
O conjunto de comunidades é formado por Parada de Lucas, Vigário Geral, Cidade Alta, Cinco Bocas e Pica-pau, áreas apontadas como controladas pelo Terceiro Comando Puro. A região tem como principal liderança criminosa Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido como Peixão, considerado pela polícia um dos traficantes mais procurados do estado.
De acordo com o porta-voz da PM, major Maicon Pereira, a atuação nas comunidades vizinhas tem como um dos objetivos evitar que moradores sejam expostos a confrontos. A declaração foi dada ao Bom Dia Rio, da TV Globo, durante a manhã desta quarta-feira.
A estrutura empregada na operação reúne agentes de unidades subordinadas ao Comando de Operações Especiais (COE) e do 15º BPM, de Duque de Caxias. Os policiais contam com seis veículos blindados, 40 viaturas leves, aeronaves do Grupamento Aeromóvel (GAM) e uma ambulância da corporação.
Escolas suspendem aulas durante operação
Os impactos da ação também atingiram a rotina dos moradores. Seis escolas da rede municipal suspenderam as aulas nesta quarta-feira: três unidades ficam no Quitungo e no Guaporé, enquanto outras três estão localizadas em Furquim Mendes, Dique e Ficap.
Três unidades municipais de Atenção Primária à Saúde que atendem a população das áreas envolvidas permanecem funcionando. No entanto, as atividades externas, como visitas domiciliares, foram suspensas durante a operação.
PM mantém ocupação no Complexo de Israel
A operação desta quarta-feira ocorre após uma sequência de ações da PM no Complexo de Israel. Desde a última sexta-feira, equipes policiais vêm realizando incursões nas comunidades Cinco Bocas, Pica-pau e Cidade Alta.
Durante uma dessas ações, agentes localizaram, pela primeira vez no estado, carros-bomba que estariam sendo utilizados para bloquear ruas, além de barricadas com explosivos. Segundo as informações divulgadas, os artefatos poderiam ser acionados remotamente, mas não chegaram a ser detonados.
Na segunda-feira, a Polícia Militar anunciou a ocupação do Complexo de Israel por tempo indeterminado. Durante a reação à presença policial, criminosos incendiaram quatro caminhões na Avenida Brasil.
Já na terça-feira, uma ação conjunta envolvendo a PM e a Polícia Civil resultou no cumprimento de mandados de prisão no complexo. Uma pessoa morreu e nove foram presas. Entre os detidos está Luana Rosa de Araújo, conhecida como Madrinha da Cidade Alta e apontada como integrante da cúpula do TCP. Contra ela foram cumpridos quatro mandados de prisão, sendo dois por homicídio e dois por associação para o tráfico.




