A Polícia Militar do Rio de Janeiro iniciou nesta segunda-feira (24) a segunda fase da operação de ocupação do Complexo de Israel, na Zona Norte da capital. A ação, que mobiliza cerca de 200 policiais e se concentra em Parada de Lucas e Vigário Geral, foi marcada por intensos tiroteios e levou ao fechamento preventivo da Avenida Brasil, da Rodovia Washington Luís (BR-040) e da Linha Vermelha durante a madrugada. Até a última atualização, quatro homens haviam sido presos, além da apreensão de dois fuzis e uma granada.
A operação faz parte de uma estratégia da PM para manter a ocupação do Complexo de Israel por tempo indeterminado e conter disputas territoriais entre o Terceiro Comando Puro (TCP) e o Comando Vermelho (CV). Segundo a corporação, a região também é utilizada por criminosos como base para roubos de veículos e cargas.

Equipes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) começaram a atuar em Vigário Geral e Parada de Lucas ainda no início da madrugada. Com a intensificação dos confrontos, a Polícia Militar adotou medidas preventivas para proteger motoristas e interrompeu temporariamente o tráfego em três das principais vias expressas da região.
A Avenida Brasil, a Rodovia Washington Luís e a Linha Vermelha foram interditadas por volta das 2h30. A circulação, no entanto, foi restabelecida pouco antes das 3h. Até a última atualização, não havia registro de novas interdições nas três vias.
De acordo com a Secretaria Municipal de Educação, quatro unidades escolares foram impactadas pela operação policial. A movimentação das forças de segurança ocorre em uma área de grande circulação e próxima a importantes corredores viários da Zona Norte.
Segundo o major Maicon Pereira, porta-voz da Polícia Militar, mais de 10 toneladas de barricadas foram retiradas durante a primeira etapa da operação. Além disso, três vias que estavam bloqueadas por valas foram liberadas para permitir a passagem de veículos.
Primeira fase da ocupação
A primeira etapa da operação foi realizada na sexta-feira (21), quando policiais ocuparam as comunidades de Cidade Alta, Pica-Pau e Cinco Bocas. Na ocasião, a Avenida Brasil também chegou a ser interditada preventivamente devido aos confrontos registrados durante a ação.
Durante o avanço das equipes, os policiais localizaram barricadas e veículos que continham explosivos. Segundo a PM, os artefatos seriam acionados com a aproximação das forças de segurança, mas não chegaram a ser detonados.
Ao final da primeira fase, a corporação informou que a ocupação do Complexo de Israel seria mantida por tempo indeterminado. A PM afirmou ainda que a região da Cidade Alta e seu entorno estavam estabilizados, permitindo o avanço das equipes para outros pontos do complexo.
De acordo com a Polícia Militar, a localização elevada da Cidade Alta representa uma vantagem estratégica para grupos criminosos, podendo facilitar a observação da movimentação, o controle territorial e o enfrentamento às forças de segurança.
Com a segunda etapa, o foco da operação passou a ser Parada de Lucas e Vigário Geral. A intenção, segundo a corporação, é reduzir a disputa pelo controle territorial entre grupos criminosos e combater atividades como roubos de carros e cargas.
A PM também informou que a operação inclui ações contra episódios de perseguição e intolerância religiosa praticados contra minorias religiosas, entre elas seguidores de religiões de matriz africana e outros grupos cristãos. A corporação afirma que a medida busca preservar a liberdade religiosa e ampliar a segurança dos moradores.




