Operação mira milícia suspeita de cobrar moradores e comerciantes em São João de Meriti

Operação mira milícia suspeita de cobrar moradores e comerciantes em São João de Meriti

Três homens foram presos em flagrante durante a ação; investigação da Draco aponta Evandro Costa de Souza, conhecido como Monstrão e Vando, como líder do grupo.

A Polícia Civil realizou uma operação na manhã desta terça-feira (22) contra uma milícia suspeita de realizar cobranças ilegais e intimidar moradores e comerciantes em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Três homens foram presos em flagrante durante a ação, que também cumpriu seis mandados de busca e apreensão em imóveis ligados aos investigados.

As investigações conduzidas pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco/IE) apontam que o grupo atua no Complexo do Morro do Pau Branco e na região de Venda Velha. Segundo a apuração, a organização seria comandada por Evandro Costa de Souza, conhecido como Monstrão e Vando.

De acordo com a Polícia Civil, a milícia utilizaria homens armados para manter influência sobre as áreas investigadas, com práticas que incluem cobranças, ameaças e intimidação de moradores e comerciantes. A especializada também identificou uma estrutura organizada para garantir a continuidade das atividades mesmo diante de ações policiais.

Segundo os investigadores, o grupo teria passado a modificar os locais utilizados como pontos de permanência e apoio, além de deslocar armamentos e reforçar os meios de comunicação entre os integrantes. A estratégia, conforme a polícia, teria como objetivo dificultar a atuação das forças de segurança e preservar a estrutura da organização.

Entre os investigados estão Rodrigo Lino de Lima, conhecido como RD, e Carlos Donato Ximenes Melo, o Papel. A Draco informou que imóveis relacionados aos dois seriam utilizados para guardar ou esconder armas supostamente empregadas nas atividades atribuídas à milícia.

Ainda segundo a investigação, Rodrigo teria sido identificado circulando pela região portando um fuzil. Durante as diligências, os policiais encontraram seteiras em uma residência ligada ao suspeito. Conforme a corporação, as aberturas permitiriam a realização de disparos de dentro do imóvel, sem que os ocupantes ficassem expostos.

TRÊS HOMENS SÃO PRESOS EM FLAGRANTE

Durante a operação, três pessoas foram presas em flagrante por diferentes suspeitas. Um dos presos foi autuado por porte ilegal de arma de fogo, outro por estar com material relacionado às cobranças atribuídas à milícia e o terceiro por constituição de milícia privada.

Os agentes apreenderam munições de fuzil, um carregador de fuzil, uma pistola, um caderno de anotações, materiais que seriam utilizados nas cobranças e uma motocicleta com sinais de adulteração.

INVESTIGAÇÃO AVANÇOU APÓS PRISÃO DE SUSPEITO

A operação desta terça-feira também é resultado do avanço das investigações após a prisão, em 16 de setembro, de Marlon Aurélio Gomes de Souza, conhecido como Taz. Segundo a Polícia Civil, ele seria responsável pelo braço armado da organização.

Conforme a apuração, Marlon é suspeito de participar de confrontos e ações armadas relacionadas a disputas territoriais com grupos rivais. A polícia também aponta que ele teria coordenado homens armados e exercido papel na manutenção do domínio territorial atribuído à milícia.

Contra Marlon havia um mandado de prisão em aberto por homicídio qualificado. Após a prisão, novas diligências foram realizadas e, segundo a Draco, contribuíram para identificar outros integrantes e possíveis pontos de apoio utilizados pela organização.

SEIS MANDADOS FORAM CUMPRIDOS

Ao todo, a Draco cumpriu seis mandados de busca e apreensão contra pessoas investigadas. As medidas foram autorizadas pela Justiça do Rio de Janeiro após manifestação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ).

A operação busca ampliar o conhecimento sobre a estrutura, hierarquia e divisão de tarefas da milícia, além de identificar a dinâmica das cobranças ilegais, a circulação de armas e a atuação territorial do grupo.

Até a publicação desta matéria, não havia sido localizada a defesa dos suspeitos. O espaço permanece aberto para manifestação.

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