Três policiais civis são presos por suspeita de extorquir comerciantes em São Gonçalo

Três policiais civis são presos por suspeita de extorquir comerciantes em São Gonçalo

Três policiais civis estão entre os quatro presos, nesta sexta-feira (4), durante uma operação que apura um suposto esquema de extorsão contra comerciantes de São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio. Segundo as investigações da Corregedoria da Polícia Civil e do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), os agentes teriam utilizado uniformes, armas, viaturas oficiais e a justificativa de fiscalizações para cobrar dinheiro de estabelecimentos dos setores de sucata, ferro-velho, reciclagem e depósito de resíduos.

Além das prisões, foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão em imóveis de São Gonçalo e Niterói. Entre as denúncias investigadas estão cobranças que começaram em R$ 300 mil e R$ 20 mil, feitas sob ameaça de possíveis prejuízos às empresas abordadas.

A operação foi conduzida pela Corregedoria da Polícia Civil em conjunto com o Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp/MPRJ). Conforme a denúncia apresentada pelo Ministério Público, os investigados se apresentavam como agentes em serviço e alegavam encontrar irregularidades administrativas ou ambientais durante supostas fiscalizações.

Em um dos episódios investigados, ocorrido em 19 de agosto, três policiais teriam cobrado inicialmente R$ 300 mil de uma empresa para evitar que o estabelecimento fosse prejudicado. Após a recusa, o valor teria sido reduzido para R$ 100 mil, com previsão de pagamento em três parcelas, além de uma cobrança mensal de R$ 800.

A apuração apontou ainda que não havia ordem de serviço, registro de ocorrência ou outro documento oficial que comprovasse a realização daquela fiscalização. No mesmo dia, a vítima teria realizado uma transferência de R$ 25 mil para a conta de um dos denunciados. Segundo o MPRJ, esse investigado seria responsável por dar suporte financeiro ao grupo e receber valores cobrados dos comerciantes.

Segunda cobrança investigada

Em outro caso, os agentes teriam abordado um caminhão pertencente a uma empresa e acompanhado o veículo até o depósito. No estabelecimento, um dos suspeitos teria se identificado como integrante da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA).

Durante a abordagem, os responsáveis pelo local teriam sido informados de uma cobrança de R$ 20 mil. Depois de afirmarem que não tinham condições de pagar a quantia, o valor teria sido reduzido para R$ 15 mil. Apesar da negociação, nenhum pagamento foi efetuado nesse segundo episódio.

Para o Gaesp, a utilização de recursos oficiais da Polícia Civil teria dado às abordagens uma aparência de legalidade e contribuído para criar um cenário de intimidação diante dos comerciantes. A investigação também busca verificar se outros estabelecimentos foram vítimas de práticas semelhantes.

Investigação reuniu novas evidências

Segundo a Corregedoria-Geral da Polícia Civil, as diligências permitiram reunir elementos que vão além da denúncia anônima que deu origem à apuração. Entre as evidências estão depoimentos considerados convergentes de vítimas e testemunhas, reconhecimentos por meio de fotografias, imagens de sistemas de videomonitoramento e um comprovante de transferência bancária compatível com uma das vantagens indevidamente cobradas.

Os investigadores também encontraram relatos de possíveis episódios semelhantes envolvendo outros estabelecimentos comerciais da mesma região. As informações deverão ser analisadas para determinar a dimensão do suposto esquema e identificar eventuais novos envolvidos.

A Corregedoria afirmou que as investigações continuam para esclarecer todos os fatos e apontar possíveis participantes. A instituição também declarou que não tolera desvios de conduta praticados por servidores e que pretende responsabilizar agentes que tenham utilizado a função pública para cometer crimes.

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