PF deflagra Operação Polaridade contra suspeitos de fraudar registros de armas de CACs no RJ

PF deflagra Operação Polaridade contra suspeitos de fraudar registros de armas de CACs no RJ

A Polícia Federal deflagrou, nesta sexta-feira, a Operação Polaridade para investigar um grupo suspeito de fraudar processos administrativos relacionados à aquisição e ao registro de armas de fogo para Colecionadores, Atiradores Desportivos e Caçadores (CACs). Ao todo, estão sendo cumpridos 20 mandados de prisão e 26 de busca e apreensão contra pessoas físicas e empresas em diferentes municípios do Estado do Rio de Janeiro e em Vila Velha, no Espírito Santo.

As investigações começaram após a PF encontrar irregularidades em processos analisados na Delegacia de Polícia Federal em Niterói. Segundo os investigadores, um funcionário terceirizado ligado à análise de documentos teria aprovado solicitações que não atendiam às exigências legais, incluindo pedidos acompanhados de documentação falsa ou incompatível.

A investigação teve início a partir da identificação de inconsistências em requerimentos relacionados a armas de fogo. Conforme a Polícia Federal, os procedimentos eram analisados no Núcleo de Armas da Delegacia de Polícia Federal em Niterói, onde foram encontradas divergências na documentação apresentada pelos requerentes.

De acordo com a PF, um colaborador terceirizado que atuava na análise documental teria autorizado pedidos mesmo diante da falta de documentos obrigatórios. Alguns processos também teriam sido instruídos com arquivos falsificados ou que não correspondiam aos critérios estabelecidos pela legislação.

Durante o trabalho investigativo, os agentes identificaram um possível esquema baseado na reutilização de documentos em solicitações de diferentes pessoas, além da apresentação de comprovantes de residência falsificados. Também foram encontradas situações em que documentos considerados essenciais para a análise dos pedidos não estavam presentes.

As irregularidades, segundo a corporação, também envolveriam certificados técnicos e outros requisitos exigidos para a aquisição de armas de fogo, inclusive aquelas classificadas como de uso restrito. A suspeita é de que as falhas tenham permitido o avanço de processos que não cumpriam integralmente as exigências previstas.

Possível ligação com armas apreendidas

Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi a identificação de possíveis relações entre alguns dos requerimentos analisados e armas de fogo apreendidas posteriormente durante uma ação policial. Para a Polícia Federal, essa conexão reforçou a necessidade de aprofundar a apuração sobre o funcionamento do esquema e seus possíveis envolvidos.

A Operação Polaridade busca alcançar tanto pessoas físicas quanto empresas que possam ter participado das irregularidades. Os mandados são cumpridos em diferentes cidades do Estado do Rio de Janeiro e também em Vila Velha, no Espírito Santo.

A PF informou que as diligências continuam com o objetivo de identificar todos os participantes, verificar possíveis relações com organizações criminosas e esclarecer a extensão das fraudes. A investigação também poderá apontar outros crimes além daqueles já considerados inicialmente.

Entre os delitos que podem ser atribuídos aos investigados estão organização criminosa, inserção de dados falsos em sistema de informações da Administração Pública, corrupção passiva, falsidade ideológica, uso de documento falso e comércio ilegal de armas de fogo.

Segundo a Polícia Federal, os crimes poderão ser ampliados conforme novas evidências sejam obtidas durante o andamento das investigações.

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