Casas Bahia tem prejuízo de R$ 10,1 bilhões e avalia recuperação judicial

Casas Bahia tem prejuízo de R$ 10,1 bilhões e avalia recuperação judicial

A Casas Bahia registrou um prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026 e admitiu que poderá recorrer novamente a mecanismos de proteção contra credores diante da pressão sobre suas finanças. A empresa divulgou as demonstrações financeiras com atraso neste domingo e informou que avalia, entre outras alternativas, a possibilidade de uma recuperação judicial ou extrajudicial.

Apesar do resultado bilionário, a companhia informou que parte significativa do impacto veio de eventos considerados não recorrentes. Segundo o balanço, aproximadamente R$ 9,1 bilhões foram relacionados a baixas de ativos, custos de reestruturação, contratos não performados e efeitos de imposto de renda diferido.

O resultado ajustado também permaneceu negativo. A Casas Bahia contabilizou prejuízo de R$ 978 milhões nessa base de comparação, uma piora de 76% em relação ao mesmo período do ano anterior. O desempenho ocorre em meio a um cenário de juros elevados, crédito mais restrito e pressão sobre o consumo das famílias.

O resultado financeiro líquido ficou negativo em R$ 1,278 bilhão entre abril e junho. No segundo trimestre de 2025, o indicador havia registrado resultado negativo de R$ 1,147 bilhão. Para a companhia, o custo de capital continua sendo um dos fatores que dificultam a recuperação financeira do grupo.

Receita cresce, mas Ebitda recua

Mesmo diante do prejuízo, a receita líquida da Casas Bahia apresentou alta de 1,6% no segundo trimestre, chegando a R$ 6,97 bilhões. Já o Ebitda ajustado, indicador que representa o resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, caiu 9,4% e ficou em R$ 518 milhões.

No relatório divulgado junto às demonstrações financeiras, a empresa afirmou que intensificou a segunda etapa de seu plano de transformação. A estratégia prevê concentrar esforços em canais e categorias consideradas mais rentáveis, além de diminuir o capital empregado e os custos de financiamento para melhorar a geração de caixa.

A reestruturação também envolve mudanças na operação física da companhia. Entre as ações estão o fechamento de lojas, a revisão dos estoques, ajustes no capital de giro e adequações no quadro de funcionários. A empresa também informou que está revisando contratos, despesas administrativas, investimentos e outros gastos.

Casas Bahia já fechou 298 lojas

Segundo o balanço, 298 lojas já foram fechadas durante o processo de redimensionamento da rede. A decisão levou em consideração fatores como desempenho operacional, necessidade de capital e retorno econômico de cada unidade.

Ao final de junho, a companhia contava com 30.117 funcionários, número 1.622 menor que o registrado no início de 2025. O texto-base também menciona informações publicadas pelo jornal Valor sobre novas demissões realizadas pela empresa, além de movimentações de fornecedores preocupados com a situação financeira da varejista.

Empresa avalia novas medidas para reorganizar dívidas

A Casas Bahia afirmou que continua analisando alternativas de natureza operacional, financeira, societária e estratégica. A decisão deverá considerar a evolução da liquidez da empresa, as projeções de fluxo de caixa, as negociações com credores e parceiros comerciais e as condições do mercado financeiro.

Entre as possibilidades citadas pela administração está uma eventual reorganização formal de passivos e obrigações. Nesse cenário, a companhia poderá recorrer novamente à recuperação extrajudicial ou ingressar com um pedido de recuperação judicial.

A empresa ressaltou, no entanto, que as medidas ainda estão em avaliação e dependem, em determinados casos, de negociações ou da participação de terceiros. A administração também afirmou que poderá modificar ou ampliar as ações previstas conforme a evolução da situação financeira e das negociações com credores.

Divulgação do balanço ocorreu com atraso

A apresentação dos resultados do segundo trimestre foi adiada duas vezes. Inicialmente prevista para quarta-feira, a divulgação passou para sexta-feira e acabou sendo realizada somente no domingo. O material informa ainda que o atraso no fornecimento das informações à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) está sujeito à aplicação de multa ordinária.

A situação financeira da Casas Bahia já havia levado a companhia a buscar uma solução para suas dívidas anteriormente. Em 2024, quando acumulava aproximadamente R$ 4,1 bilhões em débitos, a empresa passou por um processo de recuperação extrajudicial. Agora, diante dos novos resultados, a varejista voltou a considerar medidas para reorganizar suas obrigações financeiras.

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